- Ai Mariana, queria eu tocar violoncelo em vez de
cozinhar! – disse a minha Madrinha (que é cozinheira)
As pessoas não têm noção do quão difícil é tocar bem
um instrumento. Mal até pode ser fácil mas, tocar bem, não é fácil. Exige muita
concentração e paciência. São horas de estudo. É vontade de sair para dar uma
volta e não poder porque se sabe que é preciso estudar. É passar horas dentro
de uma sala sozinha entre partituras, metrónomos e anotações. É estar às vezes
uma hora ou mais só num bocadinho de música, sempre a repetir essa passagem até
ficar quase dominada. É saber estudar, saber qual o problema e saber
solucioná-lo. É saber ouvir se está afinado ou desafinado. É ficar frustrada
porque no dia a seguir a dita passagem afinal não se consegue tocar e há que
voltar a estudá-la. É estar a fazer as compras e estar a cantarolar e a pensar
na melhor maneira de tocar aquela passagem. (…) É sobretudo gostar e não
desistir.
Mas também
tem a parte boa que é o resultado do estudo. É quando as passagens e a peça
ficam seguras. Quando há confiança e as notas deslizam entre os dedos formando
a música e sentimos o nosso esforço a ser recompensado nos breves minutos da
música. É o prazer de fazer música e de ver e sentir nascer a música. E quando
se toca em conjunto (por exemplo num quarteto)? A sensação (para mim) ainda é
melhor, é ver a nossa parte e a dos outros a completar-se. É saber a parte dos
outros e trocar olhares de que só nós entendemos. É fazer música em conjunto e
trabalhar em conjunto para um único objectivo: Fazer música.
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