quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

23:28

Se sou má? Sou. Se vou atrás? Não.

23:27

é então que sem contares o telemóvel dá sinal de mensagem. durante uns segundos não dás importância mas rapidamente a curiosidade vence. não conheces o número e assim que lê o seu conteúdo ficas parada durante alguns segundos a olhar para a mensagem que dizia: liga-me, ass xxx. por uns momentos pensas em ignorar e nem telefonar mas rapidamente mudas de ideias e rapidamente começas a caminhar em passo apressado para a saída da biblioteca. cá fora nem te apercebes do que se passa. procuras pelo nome dele para lhe telefonar. enquanto ninguém atendes tentas lembrar-te da última vez que falaram ao telemóvel mas não te lembras. pensas que talvez em Outubro ou Novembro. ouves por fim uma voz. aquela tua voz já tão conhecida embora não a ouvisses há bastante tempo. continua igual pensas. tentas falar calmamente mas estás num estado de agitação difícil de controlar. começas a caminhar em pequenos passos de um lado para o outro e olhando para o chão. a conversa vai fluindo naturalmente como se não tivesse ocorrido uma interrupção temporal. isso é bom, pensas, significa que está tudo bem entre nós. falam de coisas banais, de música, de aulas, de trabalho e até de liberdade e do povo amish! estás tão concentrada no som da sua voz que por vezes até te esqueces de responder e acontecem uns segundos de silêncio. ao mesmo tempo da conversa pensas se ele irá fazer referência ao seu novo estado. no entanto isso não parece vir a a ser referido. entretanto o telefonema precisa de ser terminado. ouves eu não me esqueço de ti, a sério que não algumas vezes. dizes que sabes mas no fundo não acreditas e talvez seja melhor assim para não alimentar ilusões. um grande beijinho. beijinhos, vai dizendo alguma coisa. assim que desligas a chamada olhas para o telemóvel e reparas que a conversa durou vinte e cinco minutos e quarenta e um segundos. vinte e cinco minutos e quarenta e um segundos que passaram demasiado rápido.

22:50

finalmente chegas à biblioteca da universidade. caminhas com ar decisivo mas no fundo não fazes ideia qual mesa escolher. acabas por escolher um lugar à beira da janela. começas a tirar lentamente as coisas que vais precisar da mala. começas por tirar o computador para de seguida o colocares em cima da mesa, ao mesmo tempo que olhas para ele reparas nos autocolantes que tem: são pequenos mochos. sempre gostaste deste animal. sem controlar o pensamento voltas a pensar nele e lembraste que também é o seu animal preferido.

Give Away

Aqui no blog da Maria Francisca :)


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Daqueles devaneios sem sentido.

Tenho ainda algum receio de regressar àquela cidade onde outrora fui tão feliz. No entanto parece que já custou mais. Tudo a seu tempo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

21:40

duas da tarde. chegas à esplanada do café, olhas em redor e pensas qual será o melhor sitio para te sentares. ainda demoras alguns segundos, demasiados segundos para uma escolha aparentemente simples. segundos, essa fracção de tempo por vezes esquecida e ignorada mas que é essencial. num segundo podem acontecer muitas coisas. decides finalmente onde te vais sentar. começas então a procurar freneticamente pelo maço de cigarros que é suposto teres dentro da mala. entretanto pausas a busca porque chega o rapaz do café para saber o que queres. durante uns segundos ficas a olhar para ele sem responder até que por fim te apercebes da situação em que estás e acabas por responder atabalhoadamente que queres um café. mal acabas de responder retomas a busca. encontras finalmente o maço e reparas que te falta o isqueiro. fuck dizes baixinho. olhas em volta para ver se encontras alguém a fumar e que tenha isqueiro. mas não vês ninguém. estás sozinha na esplanada com vista para a ria. chega o rapaz com o café, pedes-lhe se te pode arranjar um isqueiro. ele tira-o do bolso e empresta-te. acendes finalmente o tão aguardado cigarro e devolves o isqueiro. era giro, questionas-te se terá sido a possível namorada do rapaz que lhe terá oferecido. ou talvez uma amiga. ou se calhar foi ele que comprou por gostar daquela cor. entretanto lembras-te que o J. também tinha um isqueiro daquela cor. uma vez ficaste com ele durante uns dias. não  querias devolver mas entretanto teve que ser. pousas o cigarro no cinzeiro e preparas-te para realizar uma nova buscar dentro da mala. ao mesmo tempo que tentas encontrar o telemóvel reclamas mentalmente com a tua mãe. que raio de ideia a dela de te dar uma mala tão grande. tu que sempre foste menina de usar mochilas e coisas práticas. passado uns segundos encontras o telemóvel, pousas o telemóvel em cima da mesa enquanto pensas se lhe telefonas ou não. tens a certeza que ele não vai atender mas insistes em talvez tentar. entretanto o cigarro continua pousado no isqueiro, ficou esquecido. telefonar ou não telefonar, é o que te vai ocupando o pensamento. pensas repetidamente nisto enquanto vais observando o espaço à tua volta com um ar distraído. acabas por finalmente te decidir. pegas no telemóvel. em vez de escreveres logo o nome dele vais percorrendo a lista até o encontrar. é uma maneira de ganhar uns segundos de tempo e de coragem. encontras o nome e olhas fixamente para ele. além do nome tem um fotografia dele, tirada naquela cidade que ainda receias voltar. ficas assim durante uns segundos. talvez demasiados segundos, quando finalmente voltas a olhar para o cigarro já ele terminou. entretanto esqueces o cigarro e voltas a olhar para o telemóvel que entretanto ficou bloqueado automaticamente. desbloqueias, carregas na tecla que faz com que comece a dar o sinal de chamada. deixas chamar durante segundos, segundos esses que parecem uma eternidade. ouves por fim a voz automática do atendedor de chamada. desligas e pensas que, tal como a chamada que teve que ser desligada, também ele tem que ser desligado da tua vida.

Daquelas coisas parvas..

Falar sozinha, dentro do supermercado, sobre papel higiénico e os diversos preços, enquanto o escolho pormenorizadamente.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

21:07

- És sempre a mesma. Ao fim de tanto tempo continuas igual. Não mudas, não cedes, apenas pensas em ti. É incrível. És burra, sabes disso não sabes?
- Sei.
- Então se sabes porque raio não mudas?
- Porque não vale a pena. Ia ser pior, ia ser má. Mais vale parar agora.
- Não te entendo. A sério que não. Afastas sempre quem gosta de ti. É incrível. E sempre a mesma desculpa, de que não és boa pessoa e que não queres magoar e bla bla bla. Bullshit!
- Não. É mesmo verdade isso..
- É? Olha que não sei, não gostas dele?
- Gosto..
- E então?
- Então nada. Não presto nestas coisas, a sério que não. Sou demasiado independente. Ia acabar por o magoar. Além que I'm not girlfriend material.
- Tretas..
- É verdade e sabes disso perfeitamente. Nunca tive nenhuma relação duradoura, nem quero! Não consigo.
- Isso soa mal, sabes disso não sabes?
- Sei and I don't give a shit about it .. Sou assim.
- Tu não és normal..

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

20:24

finalmente a reabilitação começou a fazer efeito. claro que descobrir algo que esperávamos que não acontecesse ajuda. é como quando estamos na praia e queremos ir ao mar. sabemos que se calhar a água está fria mas ao mesmo tempo temos aquela esperança de que não esteja assim tão fria e que possa estar razoável. mas desta vez a água estava mesmo fria e no mar não há esquentador. e desta vez foi de vez, a água estava mesmo fria e eu não contava com isso.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Eram coisas.

Hoje deitei-me na relva, de barriga virada para o céu. E que bem que me soube. A relva estava molhada, mas era dia de colocar a roupa para lavar por isso não fez diferença. Foi pouco tempo mas soube mesmo bem. A última vez que estive deitada na relva foi há uns meses, naquela cidade que ainda tenho receio de regressar. São muitas as memórias. Mas isso agora não interessa. O que passou passou. Como estava a dizer, deitar na relva é fantástico. Momentaneamente consigo abstrair-me do mundo e ficar apenas comigo. Com o sol a bater na cara, a ouvir os passarinhos a chilrear, um ou outro cão a ladrar ao longe e, volta e meia, um carro a passar. Sabe bem mas sabe a pouco. Entretanto ouço a mãe a chamar e a dizer que a relva está molhada e que faz mal. Por momentos atrevo-me a não lhe responder mas rapidamente ela volta a chamar-me. Tenho mesmo que me levantar e ir para dentro. Começa a estar fresco e o céu está a começar a escurecer, é capaz de voltar a chover.