Foto tirada pelo Filipe Roriz -> Flickr
O comboio é um meio de transporte
fantástico. É capaz de transportar mercadorias, pessoas, animais, bicicletas,
instrumentos musicais, pranchas, entre outras inúmeras coisas. O comboio é
feito pelas pessoas, transborda imensas histórias passadas ou vividas no momento
em que está em andamento e a preparar as próximas histórias. Histórias feitas
pelas pessoas e pelo tempo. Sim, é preciso tempo para concretizar as histórias
que não se fazem só com pessoas. Há tempo para tudo e todos. Haver tempo é
inevitável por mais que não queiramos pensar nele está sempre presente, ora
escondido ora evidente. Afinal é ele que nos comanda, somos controlados por ele
mesmo inconscientemente. Há calendários que mostram os anos, os meses e os dias
e há relógios que mostram as horas, os minutos e os segundos. Estamos sempre
"a correr". Ora estamos atrasados ora adiantados. Temos horários,
obedecemos aos horários.
Vivemos
conforme o tempo embora que o tempo seja sempre algo muito relativo mas, no
entanto, bastante preciso. Cinco minutos podem passar mais devagar ou mais
depressa consoante a circunstância e não deixam de ser cinco minutos. Mas o
tempo permanece, sempre presente.
E
as pessoas? Ah, as pessoas… São fantásticas para observar tal como as ditas
pessoas observam os pequenos animais em cativeiro. As pessoas estão em
constante evolução, nada permanece na mesma assim como não há pessoas iguais.
Cada uma tem as suas características.
Na fotografia está um comboio a
chegar. Comboio esse que vai deixar passageiros e outros novos vão entrar. Há histórias
que terminam e outras que estão para começar. Há imensas e podemos imaginar as
que quisermos. Há o rapaz que vai calmamente a ler um livro e que tenta passar
despercebido; há a rapariga que está com o seu mp3 e olha calmamente pela
janela com um olhar sonhador; há o senhor idoso que tenta comunicar com outro
senhor aparentemente da mesma faixa etária; há o grupo de rapazes que observa e
comenta as raparigas bonitas do comboio; há o grupo de raparigas que falam alto
e querem ser notadas; há o rapaz que vai a tocar guitarra; há a rapariga que
fica a olhar para o rapaz admirada; há pessoas que se conhecem no comboio,
pessoas que se zangam; há o senhor que bebeu demais ao almoço e que está alegre
e que fala com as pessoas; há as pessoas que aparentemente não gostam do senhor
por ele estar alterado; há as pessoas mesquinhas que dizem mal; há a rapariga
que fala com ele porque acha piada à situação e repara que ele é inofensivo. Há
também o revisor, esse grande senhor que é o testemunho de todas estas
histórias, que observa tudo, que memoriza as pessoas e que diz sempre bom dia e
por vezes boa viagem.
Há também as pessoas que esperam
ansiosamente pelo comboio; há as pessoas que chegam demasiado cedo para o
comboio e se sentam calmamente no chão; há as que chegam em cima da hora e que
encontram alguém conhecido e aproveitam para colocar a conversa em dia; há as
mais distraídas que se esquecem de validar o bilhete; há as que falam ao
telemóvel com a voz muito elevada e que todos olham.
São estas pessoas e muitas outras
que fazem as histórias vividas no comboio, que fazem com que o comboio seja um
livro grande que pode ou não ser descoberto. São estas pessoas que se cruzam
com outras sem reparar nesse pormenor. São também elas que podem fazer
diferença noutras pessoas sem ter essa noção.
São histórias misturadas e vividas
pelas pessoas, transportadas pelo comboio a inúmeros destinos diferentes. Tudo
é diferente mas no entanto algo permanece em comum: o tempo.

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