sexta-feira, 1 de julho de 2011

12:02

-Sabes, cheguei a uma conclusão - afirmou ela com convicção.

- Ai sim? Qual foi? - perguntou ele curioso. Tinha sempre curiosidade em saber o que ela ia dizer. Gostava de a ouvir divagar pelos mais diversos assuntos mesmo que ele não a percebesse por completo.

- Não são as pessoas que controlam a vida.

- Não? São são! Isso é muito discutível. - retorquiu ele.

- Sim mas, não entrando pelo lado religioso, não são as pessoas que controlam totalmente as suas vidas. É certo que controlam sempre uma parte mas não na totalidade. - argumentou ela.

- Mau, são sim, eu faço aquilo que quero, eu consigo controlar. Se quero ir à praia vou à praia, se quero ir fazer compras vou fazer. - ele tentou justificar-se porém sem já ter a certeza do que dizia. Ela confundia-o, fazia-o pensar e questionar-se sobre as mais diversas coisas.

- Sim, mas isso é a pequena parte que cada pessoa controla - disse ela vagamente com o olhar perdido no horizonte.

- Então explica a tua ideia que já estou a ficar confuso! - pediu ele.

- É o tempo que controla a vida das pessoas. Ora pensa, temos calendários que mostram os anos, os meses e os dias, temos relógios que mostram as horas, os minutos e os segundos. Somos controlados inconscientemente pelo tempo. Estamos sempre "a correr". Ora estamos atrasados ou adiantados. Temos horários, obedecemos a horários. Vivemos conforme o tempo. - tentou explicar ela.

- (...) - ele não conseguiu dizer nada, estava demasiado absorto no que ela dissera.

- E se não houvesse relógios e calendários? Tudo bem que se calhar ia haver mais desorganização. Mas pensa que podias ter a idade que quisesses e aparentasses. Eu por exemplo podia perfeitamente dizer que tenho 15 anos e todos iriam acreditar porque pareço mesmo ter essa idade em vez dos meus 20 anos. Iriamos ser mais livres, sem preocupações de estarmos atrasados ou adiantados. A vida não seria uma correria tão grande!

- Hmm, Talvez, mas não sei se gosto dessa ideia. Gosto de saber as coisas, de ter tudo organizado. - duvidou ele.

- Oh, mas tu és calhau, estás demasiado habituado às coisas! - resmungou ela.

- -.-'

- É verdade, as pessoas complicam muito. Era tão mais fácil se não houvesse a contabilização do tempo. Nem sequer haveria aquela história em que o mundo vai terminar em 2012! - disse ela.

- Epá, não sei, tenho as minhas dúvidas. - disse ele um pouco a medo da reacção dela.

- Oh, fica com as tuas dúvidas. Calhau! - amuou ela.

(...)

Sem comentários: