-Sabes, cheguei a uma conclusão - afirmou ela com convicção.
- Ai sim? Qual foi? - perguntou ele curioso. Tinha sempre curiosidade em saber o que ela ia dizer. Gostava de a ouvir divagar pelos mais diversos assuntos mesmo que ele não a percebesse por completo.
- Não são as pessoas que controlam a vida.
- Não? São são! Isso é muito discutível. - retorquiu ele.
- Sim mas, não entrando pelo lado religioso, não são as pessoas que controlam totalmente as suas vidas. É certo que controlam sempre uma parte mas não na totalidade. - argumentou ela.
- Mau, são sim, eu faço aquilo que quero, eu consigo controlar. Se quero ir à praia vou à praia, se quero ir fazer compras vou fazer. - ele tentou justificar-se porém sem já ter a certeza do que dizia. Ela confundia-o, fazia-o pensar e questionar-se sobre as mais diversas coisas.
- Sim, mas isso é a pequena parte que cada pessoa controla - disse ela vagamente com o olhar perdido no horizonte.
- Então explica a tua ideia que já estou a ficar confuso! - pediu ele.
- É o tempo que controla a vida das pessoas. Ora pensa, temos calendários que mostram os anos, os meses e os dias, temos relógios que mostram as horas, os minutos e os segundos. Somos controlados inconscientemente pelo tempo. Estamos sempre "a correr". Ora estamos atrasados ou adiantados. Temos horários, obedecemos a horários. Vivemos conforme o tempo. - tentou explicar ela.
- (...) - ele não conseguiu dizer nada, estava demasiado absorto no que ela dissera.
- E se não houvesse relógios e calendários? Tudo bem que se calhar ia haver mais desorganização. Mas pensa que podias ter a idade que quisesses e aparentasses. Eu por exemplo podia perfeitamente dizer que tenho 15 anos e todos iriam acreditar porque pareço mesmo ter essa idade em vez dos meus 20 anos. Iriamos ser mais livres, sem preocupações de estarmos atrasados ou adiantados. A vida não seria uma correria tão grande!
- Hmm, Talvez, mas não sei se gosto dessa ideia. Gosto de saber as coisas, de ter tudo organizado. - duvidou ele.
- Oh, mas tu és calhau, estás demasiado habituado às coisas! - resmungou ela.
- -.-'
- É verdade, as pessoas complicam muito. Era tão mais fácil se não houvesse a contabilização do tempo. Nem sequer haveria aquela história em que o mundo vai terminar em 2012! - disse ela.
- Epá, não sei, tenho as minhas dúvidas. - disse ele um pouco a medo da reacção dela.
- Oh, fica com as tuas dúvidas. Calhau! - amuou ela.
(...)
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