terça-feira, 21 de setembro de 2010

- Ontem fui ver um concerto! - disse ela animada.
- A sério? Foste com quem?
- Fui sozinha claro, não me importo e até gosto.
- O quê? Como é que não gostas de ter companhia?
- Eu não disse que não gostava. Apenas disse que não me importava e gostava. Sozinha praticamente não preciso falar com ninguém o que dá para observar as pessoas a minha volta a vontade sem distracções enquanto, se fosse com companhia obrigatoriamente haveria diálogo o que me iria distrair de algo que gosto de fazer! - afirmou ela.
- Tu és estranha. Eu prefiro ir a concertos com companhia. É muito mais animado. - disse ele pouco convencido.
- Gostos não se discutem! - disse ela sem entusiasmo.
- Mas afinal porque gostas tanto tu de observar as pessoas?
- Olha, porque é que as pessoas gostam tanto de observar os animais? - respondeu ela ligeiramente irritada embora não soubesse exactamente porque tinha sentido uma pontinha de irritação com aquela pergunta.
- ... - ele olha-a com ar de quem não esta a perceber nada.
- Pronto, eu explico. As pessoas observam os animais para saberem mais acerca deles, para os conhecerem. Eu faço isso mas com as pessoas.
- Mas não falas com elas, nunca as conheces. - duvidou ele.
- Ora, as pessoas que observam os animais também não falam com eles, excepto algumas claro.
-...
- Eu não preciso de falar com as pessoas para as conhecer, alias a maior parte delas eu nem as quero conhecer a sério. Imagino como serão, tem piada imaginar e nunca saber a realidade. As pessoas fazem-me lembrar um rebanho de ovelhas, sem querer ofender as ovelhas.
- Tu não és normal! - exclamou ele.
- Eu sei que não sou normal, nem quero ser. Mas eu passo a explicar. A maioria das pessoas lembra-me um rebanho porque seguem todas alguma coisa e sempre da mesma maneira. O que faz com que sejam quase todas iguais, sem originalidade. E cada vez constato mais isso. Fui ver esse concerto ao Theatro Circo e pelo que sabes é um sítio elegante e com requinte. Eu era a única pessoa sozinha no meio de várias que tinham companhia, ora dos amigos ora dos familiares e por vezes encontravam-se com alguns conhecidos. A partir daqui poderei eventualmente concluir que a ida ao teatro serve como factor social. Para sair com a família, rever conhecidos e até mesmo ser apenas visto. O ser humano tem a mania de ser extremamente sociável. Outra coisa que observei foi a forma com as pessoas estavam vestidas. Todas bem vestidas com a roupa de ir a missa e afins. Eu era das únicas pessoas menos bem vestidas. O que me leva a notar que as pessoas vestem-se bem não para elas próprias mas muitos vezes apenas para serem observadas por outros. A ida ao teatro é uma óptima oportunidade para estrear os sapatos comprados que nem se gosta muito mas que estão moda, ou para usar a camisola que a avó deu porque a avó vai lá estar. Resumindo: as pessoas vivem numa constante ilusão. O exterior é como uma mascara a proteger. São raras aquelas que se vestem ou que agem como são realmente. E quem o faz realmente por vezes é olhado com desdém. As pessoas são fascinantes de observar.
- Credo.. Pensas em tanta coisa!- disse ele com admiração.
- E posso dar mais exemplos. Vou dar outro que acho bastante piada. Como sabes durante as férias ajudei a minha mãe no café. Isso fez com que assistisse a alguns hábitos das pessoas. Dado que é um café o mais usual é as pessoas irem beber café. Mas foi raríssimo alguém ir beber café. O que bebiam era açúcar com café. O que me leva a pensar que elas apenas bebem isso porque parece bem beber, faz as pessoas parecerem importantes e notáveis. Ou seja não apreciam o verdadeiro sabor do café. Bebem porque da boa impressão. E não digas que é porque da energia, isso é praticamente psicológico. O meu avô bebe café e a seguir dorme! Elas bebem porque parece bem. O que é estúpido. Lá está novamente o rebanho. Uma ideia que se fomentou e a maior parte para não ficar fora do rebanho cumpre. Uma pessoa quando diz que gosta de café bebe-o sem açúcar. Eu gosto de café e bebo sem açúcar. Isso sim é o verdadeiro café. Ainda hoje comprei um café daqueles americanos que vêm naqueles copos que dá para ir a beber na rua o que é algo altamente e o senhor ia-me dar dois pacotes de açúcar e eu disse que não era necessário e ele disse que eu era mesmo apreciadora de café! E eu novamente observei este comentário e posso eventualmente chegar a conclusão que, para ele ter demonstrado admiração, que as pessoas bebem com açúcar. O que é absurdo. - concluiu ela.
- Hmm.. Nunca tinha pensado nisso. - respondeu ele.
- Claro que não, fazes parte do rebanho ! E até eu por vezes faço. Há coisas inevitáveis.
- Tu realmente não és normal ... - voltou ele a afirmar.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Excerto de uma conversa com um senhor já reformado:

- Sabe, eu não gostava de voltar a ser jovem! – Disse com uma expressão séria.

- Não? Porquê? – Perguntou ela inocentemente.

- Porque os jovens têm que trabalhar e não têm cultura. Eu já estou reformado, não preciso trabalhar e tenho cultura. Além disso faço o que quero! - Afirmou com um sorriso (...)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

- Não achas que ela está a ser egoísta? -perguntou ele um pouco enraivecido.
- Egoísta somos todos em todas as acções que praticamos. -respondeu ela serenamente
- Isso não é verdade!
- Acredita que é. Estás sempre a pensar em ti. A isso chama-se egoísmo ou egocentrismo.
- Não é assim. Por exemplo quando fazemos alguma coisa por alguém, um favor ou assim não somos egocêntricos, estamos a pensar naquela pessoa. - retorquiu ele com ar um pouco carrancudo
- Não é bem assim. Numa situação dessas é certo que pensas na outra pessoa mas no fundo estás a pensar em ti. Estás a pensar que deves fazer esse favor, no fundo sentes-te bem ao fazer esse favor. Ou porque a pessoa merece ou porque vais receber algo em troca. Há uma sensação em ti que faz com te apercebas que fazes bem em fazer aquilo pois pode sempre ser bom para ti. Entendes? Não é fácil explicar, é preciso analisar diversas situações e tentar compreendê-las do ponto de vista do eu.
- Ainda não percebi muito bem mas hei-de perceber. Então mas imagina que uma pessoa é obrigada a fazer alguma coisa, ai é diferente.
- Não é diferente, é praticamente a mesma coisa. Tens que fazer aquilo para o teu bem embora sejas obrigado. Se não fizeres poderá haver consequências. Por isso fazes porque não queres ter consequências más.
- Mas então se eu desobedecer já não penso em mim pois vou ter consequências...
- Errado. Mesmo ao ter as consequências pensas em ti porque naquele momento em que decidiste desobedecer soube-te bem interiormente. Estás sempre a pensar no teu bem-estar e nas sensações boas.
- Hmm.. - murmurou muito pensativo
- Pronto, agora já tens muito em que pensar! - disse ela.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

(...)

- No outro dia tive um concerto e só estavam cinco pessoas a assistir, e eram familiares de um colega meu! – disse ele

- E então?

- Tinha mais piada tocar para mais pessoas. – disse ele

- A mim não me afecta a quantidade de pessoas que assistem aos meus concertos, tanto podem estar muitas pessoas como poucas ou apenas uma mosca a voar. Eu toco porque gosto, não me interessa a quantidade de pessoas que me está a escutar naquele momento.

- A sério? – admirou-se

- Yap, acho que um músico não deve tocar mediante a quantidade de pessoas que o ouve mas sim porque gosta e faz bem tocar!

- Mesmo assim... – disse ele não muito convencido.



(...)


-“ Às vezes é difícil ouvir a verdade dos outros, apesar de ser bom os outros terem frontalidade connosco”. – disse ela
- E a verdade o que é?


verdade
s. f.
1. Conformidade da ideia com o objecto!, do dito com o feito, do discurso com a realidade.
2. Qualidade do que é verdadeiro; realidade; exactidão!; coisa certa e verdadeira.
3. Por ext. Sinceridade, boa-fé.
4. Princípio certo; axioma.
5. Bel.-art. Expressão fiel da natureza.

(In http://www.priberam.pt/DLPO/default.aspx?pal=verdade)

- Será?

(…)

quinta-feira, 11 de março de 2010

...

- Hoje está um dia bonito! – disse ela
- Realmente está embora que pudesse estar mais quente. – disse ligeiramente distraído
-Mais quente? Não está frio, não está demasiado calor, está uma boa temperatura.- retorquiu ela.
-Podia estar melhor...
-As pessoas nunca estão satisfeitas, nunca nada está bem para elas! – exclama ela levemente resignada.
-Não exageres!
- É verdade, se reparares bem é raríssimo uma pessoa estar plenamente satisfeita, tem que haver sempre algo com que reclamar.
- Estás novamente a exagerar, se as pessoas reclamam é porque têm motivos.
-Podem ter mas exageram bastante. Ainda ontem uma colega minha queixou-se da quantidade de textos que temos para resumir e traduzir. Eu não reclamo, a nossa vida é de estudante. Tudo bem que temos que dar mais importância ao instrumento mas não toda. Temos que ter cultura geral, não podemos ficar numa bolha. E até posso ter textos para resumir e traduzir que não me sinto triste nem nada parecido. Estou feliz, calma. Embora tenha motivos para não estar bem mas ando, tento não pensar neles, não reclamo, não falo sobre eles.
- Pois mas as pessoas falam porque sentem necessidade de comunicar, nem toda a gente é calada como tu e guarda tudo para si. Há aquelas que gostam de partilhar com os outros.
-Eu não guardo tudo para mim, consigo falar e partilhar as minhas coisas com as pessoas, não são é todas, e é raro encontrar uma pessoa com quem consiga falar abertamente.
-Lá está, como não confias ou não te sentes à vontade guardas para ti, qualquer dia explodes.
-Isso não acontece, já estou habituada.
-Nunca digas e nunca, depois quando isso acontecer não vais ter ninguém para te ajudar.
-Mas vou, tenho a minha mãe, a minha irmã e toda a minha familia.
-Família? E amigos?
-Família sim, são as pessoas que estarão sempre comigo e do meu lado independentemente do que eu faça eles permanecerão lá. Amigos não tenho, tenho conhecidos. As minhas melhores amigas sou eu própria, a minha mãe e a minha irmã. Embora não fale sobre o que sinto com elas sei que poderei sempre contar com a ajuda delas.
-É estranho não teres amigos.
-Não é nada.
-É é...
-Deixa lá, já estou habituada e não me queixo e sinto-me feliz como estou, e às vezes mais vale só do que mal acompanhada.
-Lá isso é verdade!
- E agora tenho que ir que tenho que ir comprar petazetas para a minha irmã!
-Vai lá, até logo!
-Até logo!

domingo, 3 de janeiro de 2010

...


2010. Novo ano. Ano novida, vida nova.
Por agora acho que vai continuar na mesma, o ano em que mudou foi 2009 ondei entrei na universidade e comecei a morar sozinha, longe da família.
2009 foi o ano em que até agora (e que me recorde) tive bastantes emoções e todas elas diferentes. Andei perdida, confusa mas finalmente chegou a fase em que voltei a encontrar-me.
2010 será mais estável em principio.
Amanhã, dia 4, recomeçam as aulas e sinceramente estou com vontade de voltar para a minha casa e voltar a morar sozinha, sinto-me bem sozinha. Por outro lado sinto saudades de casa, principalmente da minha irmã.
Faz tudo parte da vida. Uma das coisas que tenho mais medo é de desiludir os meus pais e o que por vezes me irrita é a minha consciência, por pensar demasiado neles deixo de fazer coisas que podia fazer se não pensasse tanto mas que essas coisas seria desaprovadas por ele mas, estando eu a morar sozinha poderia perfeitamente faze-las sem eles saberem. Mas não consigo e depois sinto-me um pouco excluida mas tenho o conforto de que não "fiz asneiras". Mas é sempre um pouco de revolta, não estou a viver completamente e já estou a ficar "grande".
Sentimentos e confusões misturados :s

*

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mudanças...

- Sabes... Estão sempre a acontecer mudanças, não existe nada completamente igual em todos os momentos, até um quadro que esteja sempre parado ganha pó e fica diferente. - disse ela tem tom pensativo e distraido.
- Ele com ar admirado responde: E lembras-te disso agora assim de repente porquê?
- Porque hoje, quando sai do meu apartamento no quarto andar olho ao longo das escadas que tenho de descer e subir todos os dias e deparo-me com elas cheias de coisas; mantas, almofadas, bancos... Desci as escadas e, já cá em baixo na entrada encontro uma vizinha e pergunto o que se passa.
- E então? - disse ele com a curiosidade à vista.
- Ela disse-me que as vizinhas do 3º andar como estavam sempre a discutir uma delas vai-se mudar para outro sitio.
- Ele: Pois, se não se davam bem é melhor assim.
- Ela: Eu sei mas o que mais me surpreende é que elas têm já uns 70 ou 80 anos e são irmãs. Sei lá, fiquei um pouco chocada.
- Ele: Não te preocupes, vais ver que assim foi melhor para elas.
- Ela: É, talvez mas vou sentir falta de ouvir o barulho das discussões delas, o próprio barulho que elas faziam e eu ouvia no meu quarto tornou-se um hábito e quase uma companhia. Não por as gostar de ouvir a discutir não gosto de ouvir discussões mas sim o próprio barulho. Agora vai tornar-se tudo mais silencioso.
Ele- Tu habituas-te.
Ela- É, eu sei. O mal das pessoas é habituarem-se facilmente às coisas ou pessoas e depois quando as deixam de ter fica um grande vazio.
Ele- Vá, não penses mais nisso. Vamos comer um gelado.

(...)